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Você sabia? Enedina Alves Marques: a primeira engenheira negra do Brasil

Nascida em Curitiba em 1913, ela quebrou barreiras de raça, gênero e classe para se tornar pioneira da engenharia no Paraná e no país.

03 de junho de 2026

Você sabia? Enedina Alves Marques: a primeira engenheira negra do Brasil

Você sabia? A história de Enedina Alves Marques é uma das trajetórias de maior resiliência e pioneirismo do Brasil. Nascida em Curitiba no dia 13 de janeiro de 1913, ela superou as barreiras do racismo estrutural, do machismo e da pobreza extrema para se tornar a primeira engenheira negra do Brasil e a primeira mulher engenheira do estado do Paraná.

Infância e educação

- Origem humilde: seus pais, Paulo Marques e Virgília Alves Marques, migraram para Curitiba logo após a abolição da escravidão em busca de oportunidades.
- Acesso aos estudos: sua mãe trabalhava como lavadeira na casa do Major Domingos Nascimento Sobrinho, que matriculou Enedina nos mesmos colégios particulares frequentados por sua filha.
- Primeira profissão: formou-se na Escola Normal em 1931 e atuou como professora no interior do Paraná para financiar o sonho de cursar engenharia.

A trajetória na universidade

- Ambiente hostil: ingressou na Faculdade de Engenharia da Universidade do Paraná (atual UFPR) em 1940, num corpo discente composto inteiramente por homens brancos e ricos.
- Persistência: estudava à noite, trabalhava como doméstica de dia e enfrentava salas de aula que não tinham sequer banheiros femininos.
- Graduação histórica: formou-se em Engenharia Civil em 1945, abrindo um caminho inédito para mulheres negras na ciência brasileira.

Carreira e grandes obras

- Serviço público: em 1946, tornou-se auxiliar de engenharia na Secretaria de Estado de Viação e Obras Públicas.
- Plano hidrelétrico: transferida para o Departamento Estadual de Águas e Energia Elétrica, liderou levantamentos cruciais sobre os rios Capivari, Cachoeira e Iguaçu.
- Usina Capivari-Cachoeira: foi seu maior marco técnico. Durante a construção da maior usina subterrânea do Sul do país, Enedina usava macacão e portava uma arma na cintura para garantir o respeito dos operários no canteiro de obras.
- Outras obras: atuou diretamente na edificação do Colégio Estadual do Paraná e da Casa do Estudante Universitário de Curitiba (CEU).

Personalidade e estilo

Era descrita como vaidosa, enérgica, rigorosa e uma mulher que adorava viajar pelo mundo. Nunca se casou e não teve filhos — fez da carreira e da liberdade sua maior assinatura.

Final de vida e legado

- Morte: faleceu em agosto de 1981, aos 68 anos, vítima de um infarto em seu apartamento no Centro de Curitiba. Como morava sozinha, seu corpo foi encontrado dias depois. Seu túmulo está no Cemitério Municipal São Francisco de Paula.
- Homenagens: dá nome a uma rua no bairro Cajuru, em Curitiba. Em 2023, ganhou uma estátua de bronze em tamanho real na Rua XV de Novembro, o principal calçadão da capital paranaense.

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Por que lembrar de Enedina? Porque cada projeto entregue por ela foi também um ato político. Num tempo em que mulheres negras eram empurradas para a invisibilidade, Enedina Alves Marques escolheu o macacão, a régua e o canteiro de obras — e deixou marcado, em concreto e em memória, que o lugar de uma mulher negra é onde ela quiser estar.

Editora chefe — Diane Leite

Fontes consultadas: MAST/Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação; UFPR; Sienge; Memória Feminista; INBEC; Anoreg-PR. Matéria elaborada pela redação da Diane Leite News com base em fontes públicas e biográficas.

Crédito da imagem: retrato histórico de Enedina Alves Marques, de domínio público, restaurado digitalmente.